quinta-feira, 18 de junho de 2009

O País deve defender o interesse de quem?

A serie de escândalos envolvendo o Senado Federal, denunciados desde a nova posse na presidência de José Sarney, no inicio deste ano, que assume o cargo pela terceira vez, revelou uma espécie de blindagem incondicional ao senador pela classe política. Até Lula resolveu sair em defesa do presidente do senado, que segundo ele “ tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”.

O problema é que os "comuns", que são a grande maioria no país e mantém os privilégios de parentes e amigos daqueles que estão "acima do bem e do mal", com altos salários, continuam assistindo a onda de escândalos nos três poderes da nação, inertes e sem vislumbrar perspectiva alguma de mudança diante do quadro.

Essa situação privilegiada do senador José Sarney, já era notória, porém foi necessário que ele usasse a tribuna do senado, essa semana, para lembrar aos desavisados que qualquer um pode ser denunciado por envolvimento em "atos secretos" ou coisa que o valha, menos ele. Essa avalanche de denuncias envolvendo a administração do senado, que culminou com os tais "atos secretos" e revelou uma verdadeira farra de nomeações de parentes de políticos que recebiam altos salários pagos pelo povo, só passou a preocupar o presidente do senado quando começou a surgir na lista os nomes dos seus.

Mas contrariando a pratica histórica do protecionismo e favorecimento "secreto" no Brasil, a opinião pública começa a reagir. Um exemplo é o resultado da enquete realizada pelo Jornal O Estado de São Paulo, logo após o pronunciamento do Presidente José Sarney, na última terça-feira, na tribuna do senado. A enquete revelou que 90% dos internautas que participaram, opinaram que a crise no senado pertence sim ao presidente da casa, José Sarney. Apenas 10% concordaram com o senador.

No pronunciamento o senador, José Sarney, tentou se defender das denuncias e se eximir de qualquer envolvimento com os escândalos e responsabilizou todos os senadores pela crise da Casa: "A crise do Senado não é minha, a crise é do Senado. E é essa Instituição que devemos preservar, tanto quanto qualquer um aqui. Ninguém tem mais interesse nisso do que eu, até porque aceitei ser presidente da Casa", disse.

A classe política tem razão quando admite que essa onda de denuncias enfraquece as instituições e principalmente o parlamento, mas as denuncias tem se mostrado consistentes, portanto mais que adotar providencias a curto prazo é necessário que elas sejam feitas com justiça e sem privilégios. A titulo de sugestão as autoridades poderiam buscar inspiração para isso, na opinião pública para estabelecer essas mudanças com justiça social. Até por que "o pau que dar em Chico também dar em Francisco" ou pelo menos deveria ser assim.

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