Correio BrazilienseO presidente Luiz Inácio Lula da Silva é pragmático. Não se importa com as cores de suas alianças. Aproxima-se de quem pode lhe valer um voto a mais no Congresso, seja aliado ou antigo adversário. A história não importa. Lula é refém de um sistema de governo com 14 partidos que o obriga a fechar os mais diversos pactos para ter maioria no Senado e na Câmara. O PT, que vive um amor paradoxal com o presidente, e amigos antigos estão incomodados com os gestos de afago direcionados ao senador Fernando Collor (PTB-AL). A aproximação com o alagoano é apenas um dos flertes de Lula que anda atravessado na garganta dos petistas.
Na avaliação de petistas, Lula está exagerando, e fazem um alerta: isso pode lhe custar a própria popularidade. Na base aliada, o constrangimento é visível quando Collor sai em defesa de Lula e vice-versa.
Os dois dividiram palanque em Alagoas e trocaram cumprimentos fraternais em um evento sobre o Programa de Aceleração do Crescimento. No ápice da crise envolvendo o presidente do Senado, José Sarney, Lula convocou Collor para uma conversa, com o objetivo de agradecer a postura adotada em defesa do peemedebista.
A amizade de hoje contrasta com o passado. A disputa presidencial de 1989 foi apelativa. No segundo turno, Fernando Collor venceu por uma diferença de 4,1 milhões de votos. Com o então presidente denunciado por corrupção, Lula tomou a dianteira e o PT encabeçou a campanha pelo impeachment. Tudo isso não importa mais. Escorado na alta popularidade do presidente, Collor almeja voos mais altos: quer voltar a ser governador de Alagoas.
Para o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), a aliança de Lula é bizarra. Vasconcelos também diz que o presidente pode pagar um preço indesejável por esses novos amigos.
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