terça-feira, 16 de junho de 2009

Sarney diz que não errou e que não renuncia

Folha de S. Paulo

Acuado por uma série de desvios administrativos dentro do Senado, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), 79 anos, afirma em entrevista à Folha de são Paulo, que não errou ao indicar parentes para cargos na Casa e que não irá renunciar.

Diz, sem citar nomes, suspeitar de sabotagem interna. Considera necessário mudar regras, mas afirma que erros praticados no passado podem ficar sem punição, pois "cada um deve julgar o que fez de errado e de certo". Inquieto, mexendo os joelhos de maneira intermitente enquanto estava sentado em um sofá em seu gabinete, Sarney afirmou que vai "exercer [o cargo] até o fim".

A onda de escândalos no Congresso, que se intensificou na Legislatura iniciada em fevereiro, atingiu Sarney em cheio nos últimos dias. Ele tenta rebater todas as acusações durante a entrevista. Reafirma não ter percebido que recebia R$ 3.800 de auxílio-moradia por mês. A nomeação de um neto teria sido à sua revelia. Sobre as sobrinhas, considera não haver erro.
Durante 55 minutos de entrevista, o senador maranhense que se elege pelo Amapá tomou apenas meio copo de água. No meio da atual onda de escândalos, relata ter chegado a uma conclusão: "Há uma tendência de buscar democracia direta. Tudo aponta nesse sentido".
  • O presidente José Sarney deverá fazer na tarde de hoje um pronunciamento sobre a enxurrada de denúncias de corrupção e má gestão administrativa no senado federal. Procurado pela imprensa, logo ao chegar no senado, na manhã de hoje, foi logo avisando que não ia falar nada. Já estão confirmadas a existência de mais de 300 atos administrativos secretos editados na gestão do ex-diretor-geral, Agaciel Maia, que atingiu diretamente Sarney. Quanto ao pronunciamento de Sarney, se falará ou não, sobre a mais nova crise no senado, desta vez motivada pelos tais "atos secretos", só esperando a seção do senado de hoje para conferir.

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