sexta-feira, 12 de junho de 2009

São Luis Gonzaga completa 155 anos, sem muito o que comemorar

São Luís Gonzaga do Maranhão é um dos municípios mais antigos do Estado e da Região do Médio Mearim, apesar da certeza dos seus quase dois séculos de existência, mesmo assim, como tudo naquela cidade, há duvidas com relação ao seu passado, presente e principalmente o seu futuro. Natural daquele município, há 20 anos moro na capital maranhense, para onde migrei com o objetivo de dar continuidade a minha formação profissional, a exemplo de tantos outros gonzaguenses que neste momento encontram-se mais saudosos do seu torrão. Lá vou sempre que posso, até porque meus familiares continuam residindo naquela cidade, onde passei os melhores e mais siguinificativos dias da minha vida.

Segundo dados colhidos juntos à uma publicação de autoria do conterrâneo, Evandro Araújo, a cidade de São Luís Gonzaga do Maranhão começou a nascer durante o processo de colonização da hoje Região do Médio Mearim, por portugueses no Séc. XVIII, a colonização era feita basicamente a partir de criações de núcleos agrícolas às margens do rio Mearim. São Luis Gonzaga nasce em um desses núcleos primeiramente denominada Paios e, mais tarde, Vila Velha. Em 29 de Agosto de 1844, foi criada a Freguesia de São Luís Gonzaga elevada dez anos depois à categoria de vila, em 12 de junho de 1854, desmembrando de Itapecuru Mirim e transferida pouco depois para o lugar denominado Machado.
O território de São Luís Gonzaga, que era um dos maiores do Estado, foi sendo dividido e dando origem a outros municipios como Pedreiras e Bacabal, os mais desenvolvidos da região. A sua economia sempre foi basicamente agrícola, tendo como momentos de destaque o período das decadas de 70 e 80, contribuindo siguinificamente para economia do estado, com produtos como: milho, feijão, algodão e arroz. São Luis Gonzaga é predominantemente composta do negro e tem um forte potencial cultural, que infelizmente está adormecido. Aspecto importante é o número de comunidades quilombolas, ainda existentes, como: Centro dos Cruz/Bela Vista; Fazenda Conceição; Santa Rosa; Pedrinhas; Santana; Morada Nova do Deusdeth; Morada Velha; Monte Cristo; Potó Velho; Mata Burros; Santo Antônio dos Vieiras.
Mais o municipio continua perdido no seu próprio tempo. Administrado ao longo da sua existência por praticas políticas provincianas, a situação atual do município é um retrato claro e lamentável dessa realidade. Chega a ser constrangedor ver municípios que foram desmembrados de São Luís Gonzaga, se desenvolverem em detrimento do mais antigo. No momento em que o país e o mundo debatem temas de vanguarda como meio ambiente, desenvolvimento sustentável, novas tecnologias e outros, São luís Gonzaga, ainda tenta resolver questões paróquias de ordem administrativa, em uma clara pratica política de subserviência, empreguismos , dependência total do poder público e a utilização do voto como moeda de troca.
Recentemente o mundo pode conhecer um pouco da nossa realidade, através de matéria jornalística veicula pela Rede Globo de Televisão, ao mostrar o drama vivido pelos atingidos pelas chuvas no Maranhão. O principal símbolo de organização social e política de São Luís Gonzaga é a Prefeitura, que se encontra completamente destruída, em uma ação incompreensível por parte da população gonzaguense, em um dos epsódios mais tristes da sua história recente. Está semana visitou a cidade o governador em exercício, João Alberto, cuja a mãe nasceu em São Luís Gonzaga. Ele tem vinculo político com o município desde o inicio da sua vida pública, e justiça seja feita, algumas das poucas realizações do governo estadual em São Luís Gonzaga, deve ter tido a intervenção dele, o governador conhece as virtudes e os defeitos da cidade, e nele recai uma certa esperança, afinal é praticamente na esperança que o município tem apostado ao longo dos seus hoje completos 155 anos, sem muito o que comemorar.

Como gonzaguense que sou, aproveito sempre que posso, para falar às pessoas, que não conhecem São Luís Gonzaga, um pouco da nossa história, da nossa gente, belezas naturais e tantos outros aspectos que acabam sendo ofuscados diante dos problemas de ordem politica administrativas. Pretendia hoje na tentativa de homenagear a minha cidade, escrever algo saudosista e feliz, mas decidir me solidarizar com a minha terra, por entender, que é desse sentimento de indignação e de questionamento que o município que está caminhando para dois séculos de existência necessita. O município já deu por demais, necessitando agora receber. Por tanto, ao municipio de São Luís Gonzaga do Maranhão, fica o desejo de renascimento e desenvolvimento com qualidade de vida para seu povo.

4 comentários:

  1. Parabéns Dil,
    Você conseguiu desencadear e conduzir com maestria a história de São Luís Gonzaga do Maranhão. Não ficou a impressão de “contar causos” para passar tempo. Se ocorridos ou inventados não importa, o que quero destacar é sedução dos fatos do texto. Penso na homenagem aos migrantes de São Luís Gonzaga do Maranhão que chegam a outras localidades e tornam-se cantadores de história da cidade, na maioria, de uma tradição afro-descendente que buscam melhores condições de vida, de educação, de trabalho e fugindo das grandes enchentes.
    Outro aspecto forte que o texto mostra é a imagem (foto) da cidade coberta por água que me faz lembrar o filme Narrador de Javé, semelhante às histórias anuais das cidades ribeirinha do Rio Mearim (São Luís Gonzaga, Pedreiras, Trizidela do Vale, Bacabal, Vitória do Mearim, etc..), o qual distaca-se, no filme: o acesso á terra (regularização de título fundiário), o direito ancestral dos povos que ali na maioria residem (quilombolas) e sua continua migrações continuas para grandes centros urbanos como mostra o filme.
    A imagem representa mais que mil palavras. Dentro do aspecto político sabemos que a cidade anualmente sofre a ameaça concreta de inundação. E não se tem conhecimento de que os poderes executivos, destes municípios ribeirinhos, destinam orçamento preventivo para conter/dirimir tais fenômenos previstos ou se quer planejamento para assistir as vítimas. O Plano de São de Pedro e de Deus funcionam todos os anos. Somente este ano que o Governo Federal resolveu conter e exigir mais rigores nas liberações dos recursos, do contrário, seria outro que os gestores contavam e planejavam como certos, assim como, nos anos anteriores.
    O texto reflete a memória dinâmica e não como algo guardado em uma “caixa secreta”, em um baú, como costumamos ouvir nos noticiários de TV e que, em algum momento, é resgatada. Acredito que a memória faz parte e é do seu dia-a-dia de trabalho. Trás também uma relação do passado com o presente, pois a memória é uma criação em função do presente.
    É interessante que a partir deste texto a população gonzaguense migrante e não migrantes passem então a realizar um trabalho de memória, evocando lembranças, imaginando um passado épico, um presente consolidado e um futuro promissor, uma “história grande” do Vale do Mearim. Onde haverá de aparecer múltiplos elementos da memória individual e coletiva. E, que visa buscar as reais origens de São Luís Gonzaga do Maranhão e planejar a cidade para um desenvolvimento sustentável. Pois a relação entre história e memória é intensa. Sem documentos, não há memória, respeito, dignidade do povo e nem história.
    Evandro Araújo

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  2. parabéns gostei muito de saber um pouco mais sobre essa cidade tão maravilhosa , não moro em são luis gonzaga , mais morei pra mim foi um prazer....

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  3. A CIDADE PRECISA MELHORAR MUITO AINDA GERAR EMPREGO,MORADIA E OUTRAS COISAS DO TIPO AJEITAR AS RUAS E ETC.GOSTARIA MUITO IR MORAR AI MAS NAO TEM EMPREGO VOU FICANDO POR AQUI MESMO...ABRACOS

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  4. Parabéns companheiro mesmo distante dessa cidade que amo tanto, com suas palavras me emocionei.
    hoje moro em Paragominas PA, mais sempre que posso visito minha terra natal. abraços

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