Os atos secretos beneficiou ou obteve a chancela de pelo menos 37 senadores e 24 ex-parlamentares desde 1995. Não há distinção partidária - PT, DEM, PMDB, PSDB, PDT, PSB, PRB, PTB e PR têm representantes na lista.São senadores que aparecem como beneficiários de nomeações em seus gabinetes ou que assinaram atos secretos da Mesa Diretora criando cargos e privilégios. A existência de tantos nomes indica que a prática dos boletins reservados era bem conhecida.
Os nomes dos parlamentares surgiram nos atos publicados nos últimos 30 dias, mas com data da época a que se referem. A quantidade pode ser ainda maior, com a evolução das investigações na Casa. A Mesa Diretora receberá hoje o relatório final da comissão que descobriu cerca de 650 boletins secretos.
Os nomes dos parlamentares surgiram nos atos publicados nos últimos 30 dias, mas com data da época a que se referem. A quantidade pode ser ainda maior, com a evolução das investigações na Casa. A Mesa Diretora receberá hoje o relatório final da comissão que descobriu cerca de 650 boletins secretos.
O documento apontará indícios de sigilo intencional em boa parte dessas medidas. A investigação revela que a prática de esconder decisões envolveu todos os presidentes e primeiros-secretários que passaram pelo Senado desde 1995. O corregedor Romeu Tuma (PTB-SP) aparece na relação. O atual primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), responsável pela comissão que levantou os atos, também está no grupo dos parlamentares com cargo na Mesa que referendaram parte dos atos secretos. A publicação dos boletins revela como os cargos nos gabinetes eram usados pelos ex-diretores Agaciel Maia (Diretoria-Geral) e João Carlos Zoghbi (Recursos Humanos).
Em março de 2007, um ato secreto transferiu Lia Raquel Vaz de Souza do gabinete de Demóstenes Torres (DEM-GO) para o de Delcídio Amaral (PT-MS). Ela é parente de Valdeque Vaz de Souza, um dos principais assessores de Agaciel. Delcídio e Demóstenes informaram ontem desconhecer essa funcionária.Outro ato, este com data de 6 de dezembro de 1996, foi publicado somente no último dia 1º . Trata do controle de frequência dos servidores dos gabinetes. É assinado pelo então presidente, José Sarney (PMDB-AP), e integrantes da Mesa Diretora da época, entre eles Renan Calheiros (PMDB-AL) e Ney Suassuna (PMDB-PB). Em 1998, a Mesa comanda pelo então por Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) - morto em 2007 - assinou, em sigilo, a criação de oito cargos de confiança.
Cinco anos depois, novamente com Sarney, outros 25 cargos foram criados sigilosamente. Sob o comando de Renan Calheiros (PMDB-AL), cada um dos 81 gabinetes ganhou, em 21 de fevereiro de 2005, mais sete cargos de confiança com um salário de R$ 9,9 mil.
Em 2003, a Mesa presidida pelo falecido senador Ramez Tebet (PMDB-MS) aprovou, também por meio de ato secreto, a criação de 42 cargos de confiança para a Diretoria-Geral, então nas mãos de Agaciel Maia. Dois atuais senadores assinam o documento: Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) e Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR).
O senador licenciado e ministro de Minas Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), aparece em documentos com nomeação de parentes. Outro ministro e senador licenciado usou o ato secreto para dar emprego. Hélio Costa (Comunicações) abrigou por cinco anos um repórter de uma rádio de Minas em seu gabinete.
Senadores beneficiados por atos secretos:
Aldemir Santana (DEM-DF); Antonio Carlos Júnior (DEM-BA); Augusto Botelho (PT-RR); Cristovam Buarque (PDT-DF); Delcídio Amaral (PT-MS); Demóstenes Torres (DEM-GO); Edison Lobão (PMDB-MA); Efraim Moraes (DEM-PB); Epitácio Cafeteira (PTB-MA); Fernando Collor (PTB-AL); Geraldo Mesquita (PMDB-AC); Gilvam Borges (PMDB-AP); Hélio Costa (PMDB-MG); licenciado (ministro)João Tenório (PSDB-AL); José Sarney (PMDB-AP); Lobão Filho (PMDB-MA); Lúcia Vania (PSDB-GO); Magno Malta (PR-ES); Marcelo Crivella (PRB-RJ); Maria do Carmo (DEM-SE); Papaléo Paes (PSDB-AP); Pedro Simon (PMDB-RS); Renan Calheiros (PMDB-AL); Roseana Sarney (PMDB-MA); ASérgio Zambiasi (PTB-RS); Serys Slhessarenko (PT-MT); Valdir Raupp (PMDB-RO); Wellington Salgado (PMDB-MG); Senadores que assinaram atos secretos quando integravam a Mesa Diretora da Casa Antonio C. Valadares (PSB-SE); César Borges (PR-BA); Eduardo Suplicy (PT-SP); Garibaldi Alves (PMDB-RN); Heráclito Fortes (DEM-PI); Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR); Paulo Paim (PT-RS); Romeu Tuma (PTB-SP); Tião Viana (PT-AC).
O Estado de São Paulo
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