terça-feira, 26 de maio de 2009

De volta a Brasília, depois da viagem que fez à Arábia Saudita, China e Turquia, Lula aproveitou o final de semana para inteirar-se das novidades petroleiras. Conversou com um ministro e um assessor. Disse a ambos que não aceita barganhar cargos com o PMDB em troca da fidelidade do ‘aliado’ na CPI da Petrobras. Chamou pelo nome as insinuações que os peemedebistas penduraram nas manchetes: “Isso é chantagem”.


Abespinhado, Lula afirmou que, se esse for o preço do PMDB, não tem a mais remota intenção de pagar. Responsável pela indicação dos três nomes que representarão o PMDB na CPI, o líder Renan Calheiros (AL) empurrou as escolhas com barriga na semana passada.


Em privado, disse que aguardaria a chegada de Lula. Quer conversar com ele antes de entregar a lista de nomes ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O que deveria ocorrer ontem (25).


Renan nega, de pés juntos, que o PMDB esteja reivindicando o reforço de suas posições na Petrobras. Em movimento simultâneo, senadores do grupo de Renan espalham que o partido deseja a cadeira do petista Guilherme Estrella. Vem a ser o diretor de Exploração e Produção da Petrobras. É, por assim dizer, o homem do pré-sal.


Assim funciona o PMDB de Renan: lança mão de estragemas para obter seus subterfúgios. Insinua a pretensão por um cargo que, de antemão, sabe que não vai obter. E acaba obtendo algo que parecia não pretender.


O objetivo real de Renan é o de recuperar a interlocução com Lula. Nas suas relações com o PMDB, o presidente passou a privilegiar Michel Temer (SP).


A CPI da Petrobras avançou no Senado com a providencial ajuda do PMDB de Renan, que não moveu uma palha para impedi-la. Agora, Renan vai a Lula para mostrar-se útil. De saída, sugere acomodar no posto de relator da CPI o líder de Lula na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR).


Simultaneamente, vende a idéia de que a presidência da comissão seja entregue a um oposicionista ameno: ACM Jr. (DEM-BA). Com isso, amarra o PSDB. O tucanato reivindicava o posto para um tucano carbonário: Álvaro Dias (PR). Mas vê-se compelido a aceitar a opção ‘demo’.


A oposição briga para que a CPI seja instalada até quinta-feira (28). Na véspera, o diretor Guilherme ‘Pré-sal’ Estrella desfilará pelo Legislativo. Por sorte, vai à Câmara, não ao Senado.
Junto com outros dois diretores da Petrobras – Maria das Graças Foster (Gás e Energia) e Paulo Roberto Costa (Abastecimento) – Estrella vai a uma comissão da Câmara. Discorrerá na Comissão de Desenvolvimento Econômico sobre o plano estratégico de negócios da Petrobras para os próximos anos.


A audiência é um retrato do aparelhamento político a que foi submetida a Petrobras. Estrella e Maria das Graças integram a cota do PT. Paulo Roberto foi indicado pelo PP. Apadrinhou-o o ex-deputado mensaleiro José Janene (PP-PR).


O PMDB também tem um par de nomes pendurados no organograma da Petrobras. Não vão à Câmara porque não lhes cabe lidar diretamente com o plano de negócios da estatal. São eles: Jorge Luiz Zelada (diretoria Internacional), homem do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Sérgio Machado (presidente da Braspetro), um ex-senador do Ceará, unha e cutícula com Renan.


Daí a irritação de Lula com o apetite desmedido do sócio majoritário de seu consórcio partidário.


(Blog do Josias de Souza)

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